Acenda a fogueira do seu coração que a festa já vai começar!
E aí compadre e comadre? Estão preparados para a festa junina? O meu arraial já está prontinho, tem história, música, dança, brincadeiras e, é claro, muita comida gostosa! Quer ver?

História
Você sabe por que as festas juninas receberam esse nome? Todo mundo conhece a história de que elas são chamadas de juninas por acontecerem no mês de junho. Mas o que pouca gente sabe é que, antigamente, na Europa, a comemoração era conhecida como festa joanina em homenagem ao nascimento de São João Batista. Mais tarde, os portugueses incluíram São Pedro e Santo Antônio nas festanças e também outros elementos, como as grandes fogueiras, que serviam para afastar as pragas agrícolas e trazer boas colheitas, os fogos de artifício e as bombinhas, que espantavam o mau-olhado, e os balões coloridos, que levavam pedidos aos santos.
As festas de junho são comemoradas em três datas principais:
· 13 de junho - festa de Santo Antônio;
· 24 de junho - festa de São João;
· 29 de junho - festa de São Pedro.
É claro que, como os brasileiros adoram festas, qualquer dia do mês de junho é dia de comemorar e, do norte ao sul do país, as barraquinhas de guloseimas vão surgindo, a música toca alto e a dança vai até o sol raiar! E viva São João!!!
Quitutes
Festa junina não é festa junina se não tiver muitos e variados quitutes. Huuummm... Só de pensar, fico com água na boca! Apesar de ter muitas coisas em comum, a culinária típica das festas juninas não é igual em todas as regiões do Brasil. No Norte, por exemplo, o biju e a tapioca são os quitutes mais saboreados nessas ocasiões. No Sul, o pinhão é a sensação das festas. No Sudeste, é o pão de queijo que faz sucesso. Na Região Centro-Oeste, a pamonha não pode faltar e, no Nordeste, o apetite dos festeiros é estimulado com muito cuscuz, cocadas, bolinhas de jenipapo e amendoim. Nas festas do meu bairro, cada um leva um prato. A mãe do Junin faz pé-de-moleque e o pai da Carol sabe cozinhar uma canjica maravilhosa. A vó da Juju gosta de fazer receitas com milho verde: ela faz milho cozido, pamonha e bolo de milho. É tudo muito gostoso! Minha mãe é especialista em bolo de fubá, e eu também sei fazer algumas coisinhas gostosas. Nessa festa, eu vou levar a pipoca e a paçoca, que são receitas deliciosas e fáceis de fazer! Aí vai a minha receita de paçoca para que você também possa colaborar com um prato típico na sua festa junina:
Paçoca
Ingredientes:
1 quilo de amendoim torrado sem casca e sem pele
2 xícaras (chá) de açúcar
1 xícara de farinha de mandioca
1 colherinha de sal
Modo de preparar:
Misture todos os ingredientes e passe-os, aos poucos, no processador de alimentos ou no liquidificador até que se tornem um pó fino. Coloque a mistura em forminhas para moldar as paçoquinhas ou em canudinhos de papel. Pronto, agora você já pode se deliciar com essa receita simples e gostosa!
Quadrilhas
A quadrilha foi trazida para o Brasil pela Corte portuguesa e, inicialmente, era dançada apenas pela nobreza. Com o tempo, ela foi se popularizando, e a dança servia para representar o dia-a-dia dos trabalhadores da roça e os perigos e dificuldades que eles enfrentavam a caminho do trabalho. Além da quadrilha, outros tipos de dança também animam as comemorações juninas, como, por exemplo, o forró no Nordeste, o cateretê na Região Sudeste, o cururu na Região Centro-Oeste, o vaneirão no Sul e o boi-bumbá, que aquece os festejos do Norte brasileiro. E, quando falamos em dança, não podemos esquecer das cantigas que todos gostam de cantar e que alegram as festas. Essas duas são as minhas preferidas:

Pula a fogueira
Pula a fogueira, Iaiá
Pula a fogueira, Ioiô
Cuidado para não se queimar
Olha que a fogueira
Já queimou o meu amor.
Capelinha de Melão
Capelinha de Melão
É de São João,
É de cravo, é de rosa,
É de manjericão.
São João está dormindo,
Não me ouve não,
Acordai, acordai, acordai João.

Brincadeiras
Sem dúvida nenhuma, essa é a parte da festa que eu mais adoro! Quem é que não gosta de corrida de saco, tiro ao alvo com bolinha de meia, pescaria, pau de sebo e corrida com ovo na colher? E ainda tem a brincadeira da cadeia, em que pagamos para prender nossos amigos ou as pessoas que estão atrapalhando a nossa diversão. Para sair, "o preso" tem que pagar também e, se não tiver dinheiro e ninguém quiser pagar para que ele saia de lá, pode contar que vai ficar lá a festa inteira! A brincadeira que os tímidos mais gostam é o correio elegante, pois é uma ótima forma de mandar recadinhos apaixonados para a pessoa de que estamos gostando. Mas o correio elegante não é só para namorados. Também podemos enviar mensagens, poesias e charadas para nossos amigos e familiares.
Infelizmente, nem todas as brincadeiras são divertidas e acabam bem. A cada ano que passa, os acidentes, incêndios e queimaduras aumentam muito durante o período das festas juninas por causa dos balões e dos fogos de artifício. Além disso, fabricar, vender ou soltar balões é proibido por lei. Quem cometer esse delito, além de ter que pagar uma multa, pode ficar preso (em uma cadeia de verdade) por um a três anos. Por isso, no meu arraial, brincadeira perigosa não entra de jeito nenhum! E, como eu gosto muito de balões, aprendi a fazer uns lindos, coloridos, divertidos, fáceis e que não causam nenhum tipo de acidente, nem para as pessoas e nem para a natureza!
Fonte:
http://meninomaluquinho.educacional.com.br/PaginaExtra/default.asp?id=1188

Tapioca
Ingredientes:
1 kg de fécula de mandioca ou polvilho doce
2 litros de água
Modo de Preparo:
Numa tigela, deixe a fécula de mandioca de molho por 2 horas. Escorra a água e coloque a fécula sobre um pano branco. Deixe secar por 2 horas e, em seguida, passe por uma peneira. Leve ao fogo baixo uma frigideira de ferro ou antiaderente, sem untar. Mantenha a chama baixa. Com uma colher, coloque um pouco de massa na frigideira, alisando para ficar bem macia, por cerca de 3 minutos, ou até a tapioca ficar ¿ligada¿. Repita a operação até terminar a massa. Recheie com Romeu e Julieta ou com outro recheio de sua preferência (confira abaixo).
Dicas:
Romeu e Julieta
Feito com 1/2 kg de queijo fresco e 200 g de goiabada cremosa caseira ou pronta. Com a tapioca ainda na frigideira, coloque as fatias de queijo e por cima a goiabada. Dobre e sirva quente.
Coco e Leite Condensado
Feito com 200 g de coco ralado e 200 g de leite condensado. Espalhe o coco sobre a tapioca pronta e distribua por cima o leite condensado. Dobre e sirva quente.
Recheio de Banana-da-terra e Queijo Coalho
Descasque 4 bananas-da-terra e corte-as ao meio no sentido do comprimento. Numa frigideira, aqueça 1 colher (sopa) de manteiga e frite as bananas. Com 200 g de queijo coalho fatiado, 1/2 xícara (chá) de açúcar e 1 colher (chá) de canela em pó, recheie as tapiocas: coloque as fatias de queijo e por cima a banana. Polvilhe com o açúcar e a canela. Dobre e sirva quente.


Maçã do amor
Ingredientes:
8 maçãs firmes
4 xícaras de açúcar
1 xícara de água
2 colheres (sopa) de glucose de milho
1 colher (sopa) de corante vermelho para alimentos
palitos para sorvete
Modo de Preparo:
Lave e seque muito bem as maçãs. Espete os palitos na parte superior das maçãs, ao lado do talinho. Unte uma pedra de mármore ou granito com óleo vegetal. Prepare a calda misturando bem o açúcar, água e glucose. Coloque em uma panela funda e pequena (pode ser em uma leiteira), tampe e levar ao fogo, fervendo tampada por 3 minutos. Retire a tampa e ferva por aproximadamente 10 minutos ou até atingir a temperatura de 130 graus (ou ponto de vidro, pode-se testar colocando algumas gotas da calda em um copo com água gelada). Retire do fogo e acrescente o corante e balance levemente a panela para colorir todo a calda. Coloque a panela com a calda em banho-maria e mergulhe as maçãs, uma a uma segurando-as pelos palitos. Levante e deixe escorrer o excesso, coloque para esfriar sobre uma pia de mármore untada. Deixe esfriar completamente.
Dicas:
ATENÇÃO: Esta receita não deve ser preparada por crianças menores de 14, mesmo acompanhadas por um adulto. Queimaduras com caramelo são perigosas deixando seqüelas em 90% dos casos. Antes de preparar a receita, coloque gelo e água em uma tigela funda e coloque-a ao lado do fogão, caso respingue calda nas mãos, mergulhe-as imediatamente na água gelada. Lave com sabão neutro e procure atendimento médico.

Bolo caramelo de bananas
Ingredientes:
Caramelo
1 xícara de açúcar
1/4 xícara de água
1/2 colher (chá) de suco de limão
3 bananas nanicas
massa
2 xícaras de farinha de trigo
2 xícaras de açúcar
3/4 xícara de óleo de canola
4 ovos separados
1 xícara de suco de laranja
2 colheres (chá) de fermento em pó
Modo de Preparo:
Prepare o caramelo colocando em uma pequena panela o açúcar, água e suco de limão. Leve ao fogo com a panela tampada e ferva por 3 minutos. Retire a tampa da panela e deixe a calda cozinhando até adquirir uma colocação dourada. Gire regularmente a panela para não queimar o caramelo. Retire imediatamente do fogo e despeje o caramelo em uma forma redonda para bolo de 30 cm sem furo no meio. Reserve.
Descasque as bananas e corte-as em fatias no sentido do comprimento. Arrume as bananas sobre o caramelo na fôrma. Coloque no liquidificador o suco de laranja, óleo, gemas açúcar e farinha de trigo e bata até obter um creme. Bata as claras em neve em uma batedeira.
Misture com uma colher de pau delicadamente as claras com a base da massa salpicando com o fermento em pó e misturando para que ele se incorpore à massa. Despeje na fôrma e leve ao forno médio por cerca de 1 hora. Teste com um palito para verificar que o bolo esta no ponto, o palito quando espetado no centro do bolo deve sair seco . Retire do forno e deixe repousar por 10 minutos. Vire o bolo ainda quente em um prato grande. Retire a fôrma e deixe esfriar completamente.
Escolha o tamanho do seu painel e faça barrinha na juta.
Use feltro amarelo para a
Para a calça use o feltro verde. Cole os
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Dislexia - Definição, Sinais e Avaliação | |||
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Sinais de Alerta Como a dislexia é genética e hereditária, se a criança possuir pais ou outros parentes disléxicos quanto mais cedo for realizado o diagnóstico melhor para os pais, à escola e à própria criança. A criança poderá passar pelo processo de avaliação realizada por uma equipe multidisciplinar especializada (vide adiante), mas se não houver passado pelo processo de alfabetização o diagnóstico será apenas de uma "criança de risco". Haverá sempre: Haverá muitas vezes :
Pré -Escola Fique alerta se a criança apresentar alguns desses sintomas: O fato de apresentar alguns desses sintomas não indica necessariamente que ela seja disléxica; há outros fatores a serem observados. Porém, com certeza, estaremos diante de um quadro que pede uma maior atenção e/ou estimulação. Idade Escolar Nesta fase, se a criança continua apresentando alguns ou vários dos sintomas a seguir, é necessário um diagnóstico e acompanhamento adequado, para que possa prosseguir seus estudos junto com os demais colegas e tenha menos prejuízo emocional:· Dificuldade na aquisição e automação da leitura e escrita; Se nessa fase a criança não for acompanhada adequadamente, os sintomas persistirão e irão permear a fase adulta, com possíveis prejuízos emocionais e conseqüentemente sociais e profissionais. Adultos Se não teve um acompanhamento adequado na fase escolar ou pré-escolar, o adulto disléxico ainda apresentará dificuldades; |
| DIAGNÓSTICO |
| Os sintomas que podem indicar a dislexia, antes de um diagnóstico multidisciplinar, só indicam um distúrbio de aprendizagem, não confirmam a dislexia. E não pára por aí, os mesmos sintomas podem indicar outras situações, como lesões, síndromes e etc. Então, como diagnosticar a dislexia? Identificado o problema de rendimento escolar ou sintomas isolados, que podem ser percebidos na escola ou mesmo em casa, deve se procurar ajuda especializada. Uma equipe multidisciplinar, formada por Psicóloga, Fonoaudióloga e Psicopedagoga Clínica deve iniciar uma minuciosa investigação. Essa mesma equipe deve ainda garantir uma maior abrangência do processo de avaliação, verificando a necessidade do parecer de outros profissionais, como Neurologista, Oftalmologista e outros, conforme o caso. A equipe de profissionais deve verificar todas as possibilidades antes de confirmar ou descartar o diagnóstico de dislexia. É o que chamamos de AVALIAÇÃO MULTIDISCIPLINAR e de EXCLUSÃO. Outros fatores deverão ser descartados, como déficit intelectual, disfunções ou deficiências auditivas e visuais, lesões cerebrais (congênitas e adquiridas), desordens afetivas anteriores ao processo de fracasso escolar (com constantes fracassos escolares o disléxico irá apresentar prejuízos emocionais, mas estes são conseqüências, não causa da dislexia). Neste processo ainda é muito importante: Tomar o parecer da escola, dos pais e levantar o histórico familiar e de evolução do paciente. Essa avaliação não só identifica as causas das dificuldades apresentadas, assim como permite um encaminhamento adequado a cada caso, por meio de um relatório por escrito. Sendo diagnosticada a dislexia, o encaminhamento orienta o acompanhamento consoante às particularidades de cada caso, o que permite que este seja mais eficaz e mais proveitoso, pois o profissional que assumir o caso não precisará de um tempo, para identificação do problema, bem como terá ainda acesso a pareceres importantes. Conhecendo as causas das dificuldades, o potencial e as individualidades do indivíduo, o profissional pode utilizar a linha que achar mais conveniente. Os resultados irão aparecer de forma consistente e progressiva. Ao contrário do que muitos pensam, o disléxico sempre contorna suas dificuldades, encontrando seu caminho. Ele responde bem a situações que possam ser associadas a vivências concretas e aos múltiplos sentidos. O disléxico também tem sua própria lógica, sendo muito importante o bom entrosamento entre profissional e paciente. Outro passo importante a ser dado é definir um programa em etapas e somente passar para a seguinte após confirmar que a anterior foi devidamente absorvida, sempre retomando as etapas anteriores. Ë o que chamamos de sistema MULTISSENSORIAL e CUMULATIVO. Também é de extrema importância haver uma boa troca de informações, experiências e até sintonia dos procedimentos executados, entre profissional, escola e família |
Fonte: http://www.dislexia.org.br/
DISLEXIA: COMO IDENTIFICAR? COMO INTERVIR?
Paula Teles
Resumo
A Dislexia é uma das causas mais frequentes do baixo rendimento e insucesso escolar. Na grande maioria dos casos não é identificada, nem correctamente tratada. O objectivo deste artigo é dar a conhecer os conceitos básicos desta perturbação de modo a permitir a identificação dos sinais de risco precoces, colocar a hipótese do seu diagnóstico e encaminhar para uma avaliação e intervenção especializada.
Palavras-Chave: Dislexia; Disortografia; Perturbação da Leitura e da Escrita.
1. Introdução
O saber ler é uma das aprendizagens mais importantes, porque é a chave que permite o acesso a todos os outros saberes.
A leitura e a escrita são formas do processamento linguístico. Aprender a ler, embora seja uma competência complexa, é relativamente fácil para a maioria das pessoas. Contudo um
número significativo de pessoas, embora possuindo um nível de inteligência médio ou superior, manifesta dificuldades na sua aprendizagem.
Até há poucos anos a origem desta dificuldade era desconhecida, era uma incapacidade invisível, um mistério, que gerou mitos e preconceitos estigmatizando as crianças, os jovens e os adultos que a não conseguiam ultrapassar.
Este artigo tem como objectivo apresentar os resultados dos recentes estudos sobre funcionamento do cérebro durante as actividades de leitura e escrita e dar resposta a diversas questões:
Como funciona o cérebro durante as actividades de leitura?
Quais as competências necessárias a essa aprendizagem?
Quais os défices que a dificultam?
Quais as componentes dos métodos educativos que conduzem a um maior sucesso?
Pretende ser um contributo para a avaliação-diagnóstica e reeducação das crianças em risco ou com dificuldades na aquisição da leitura e da escrita.
2. Evolução do Conceito de Dislexia, Definições e Critérios de Diagnóstico
Em 1896, Pringle Morgan, descreveu o caso clínico de um jovem de 14 anos que, apesar de ser inteligente, tinha uma incapacidade quase absoluta em relação à linguagem escrita, que designou de “cegueira verbal”. 1
Desde então esta perturbação tem recebido diversas enominações: “cegueira verbal congénita”, “dislexia congénita”, “estrefossimbolia”, “alexia do desenvolvimento”, “dislexia constitucional”, “parte do contínuo das perturbações de linguagem, caracterizada por um défice no processamento verbal dos sons”...
Nos anos 60, sob a influência das correntes psicodinâmicas, foram minimizados os aspectos biológicos da dislexia, atribuindo as dificuldades leitoras a problemas emocionais, afectivos e imaturidade”. 2
Em 1968, a Federação Mundial de Neurologia, utilizou pela primeira vez o termo “Dislexia do Desenvolvimento” definindo-a como: “um transtorno que se manifesta por dificuldades na aprendizagem da leitura, apesar das crianças serem ensinadas com métodos de ensino convencionais, terem inteligência normal e oportunidades socioculturais adequadas. 3
Em 1994, O Manual de Diagnóstico e Estatística de Doenças Mentais, DSM IV, inclui a dislexia nas perturbações de prendizagem, utiliza a denominação de “Perturbação da Leitura e da Escrita” e estabelece os seguintes critérios de diagnóstico: 4
A. O rendimento na leitura/escrita, medido através de provas normalizadas, situa-se substancialmente abaixo do nível esperado para a idade do sujeito, quociente de inteligência e escolaridade própria para a sua idade;
B. A perturbação interfere significativamente com o rendimento escolar, ou actividades da vida quotidiana que requerem aptidões de leitura/escrita;
C. Se existe um défice sensorial, as dificuldades são excessivas em relação às que lhe estariam habitualmente associadas.
Em 2003, a Associação Internacional de Dislexia adoptou a seguinte definição: “Dislexia é uma incapacidade específica de aprendizagem, de origem neurobiológica. É caracterizada por dificuldades na correcção e/ou fluência na leitura de palavras e por baixa competência leitora e ortográfica. Estas dificuldades resultam de um Défice Fonológico, inesperado, em relação às outras capacidades cognitivas e às condições educativas.
Secundariamente podem surgir dificuldades de compreensão leitora, experiência de leitura reduzida que pode impedir o desenvolvimento do vocabulário e dos conhecimentos gerais”5
Esta definição de dislexia é a actualmente aceite pela grande maioria da comunidade científica.
3. Teorias Explicativas
Durante muitos anos a causa da dislexia permaneceu um mistério. Os estudos recentes têm sido convergentes quer em relação à sua origem genética e neurobiológica, quer em relação aos processos cognitivos que lhe estão subjacentes.
Têm sido formuladas diversas teorias em relação aos processos cognitivos responsáveis por estas dificuldades.
3.1. Teoria do Défice Fonológico
Nos estudos sobre as causas das dificuldades leitoras a hipótese aceite pela grande maioria dos investigadores, é a hipótese do Défice Fonológico. 6
De acordo com esta hipótese, a dislexia é causada por um défice no sistema de processamento fonológico motivado por a uma disrupção” no sistema neurológico cerebral, ao nível do processamento fonológico. 7
Este Défice Fonológico dificulta a discriminação e processamento dos sons da linguagem, a consciência de que a linguagem é formada por palavras, as palavras por sílabas, as sílabas por fonemas e o conhecimento de que os caracteres do alfabeto são a representação gráfica desses fonemas. 8
A leitura integra dois processos cognitivos distintos e indissociáveis: a descodificação (a correspondência grafofonémica) e a compreensão da mensagem escrita. Para que um texto escrito seja compreendido tem que ser lido primeiro, isto é, descodificado.
O défice fonológico dificulta apenas a descodificação. Todas competências cognitivas superiores, necessárias à compreensão estão intactas: a inteligência geral, o vocabulário, a sintaxe, o discurso, o raciocínio e a formação de conceitos.
Como Funciona o Cérebro Durante a Leitura?
Sally Shaywitz et al, (1998) utilizaram a (fMRI) para estudar o funcionamento do cérebro, durante as tarefas de leitura e identificaram três áreas, no hemisfério esquerdo, que desempenham funções chave no processo de leitura: o girus inferior frontal, a área parietaltemporal e a área occipital-temporal. 9
Os leitores eficientes utilizam este percurso rápido e automático para ler as palavras.
Activam intensamente os sistemas neurológicos que envolvem a região parietal-temporal e a occipital-temporal e conseguem ler as palavras instantaneamente (em menos de 150 milésimos de segundo).
Os leitores disléxicos utilizam um percurso lento e analítico para descodificar as palavras.
Activam intensamente o girus inferior frontal, onde vocalizam as palavras, e a zona parietaltemporal onde segmentam as palavras em sílabas e em fonemas, fazem a tradução grafofonémica, a fusão fonémica e as fusões silábicas até aceder ao seu significado.
Os diferentes sub-sistemas desempenham diferentes funções na leitura. O modo como são activados depende das necessidades funcionais dos leitores ao longo do seu processo evolutivo.
As crianças com dislexia apresentam uma “disrupção” no sistema neurológico quedificulta o processamento fonológico e o consequente acesso ao sistema de análise das palavras e ao sistema de leitura automática. Para compensar esta dificuldade utilizam mais intensamente a área da linguagem oral, região inferior-frontal, e as áreas do hemisfério direito que fornecem pistas visuais.
3.2. Teoria do Défice de Automatização
3.3. Teoria Magnocelular
4. Bases Neurobiológicas da Dislexia
Até há poucos anos pensava-se que a dislexia era uma perturbação comportamental que primariamente afectava a leitura.
Actualmente sabe-se que a dislexia é uma perturbação parcialmente herdada, com manifestações clínicas complexas, incluindo défices na leitura, no processamento fonológico, na memória de trabalho, na capacidade de nomeação rápida, na coordenação sensoriomotora, na automatização10, e no processamento sensorial precoce. 15 16
Vários estudos têm procurado encontrar no genoma humano a localização dos genes responsáveis pela dislexia. Diversos estudos têm demonstrado a hereditariedade da dislexia.17
As mais recentes pesquisas sobre genética e dislexia referem que existem, presentemente, cinco localizações para alelos de risco, com influência na dislexia. As cinco localizações foram encontradas nos cromossomas 2p, 3p-q, 6p, 15q e 18p.18
Os resultados de estudos post-mortem, realizados em cérebros de disléxicos, mostraram diferenças microscópicas e macroscópicas importantes 19 20
Os resultados de estudos, realizados em cérebros vivos, videnciam diferenças semelhantes 21
5. Prevalência, Distribuição por Sexos, Persistência
A dislexia é provavelmente a perturbação mais frequente entre a população escolar sendo referida uma prevalência entre 5 a 17.5 %. 22
A prevalência é, contudo, variável dependendo do grau de dificuldade dos diferentes idiomas. No nosso país não existem estudos sobre a prevalência.
Em relação à distribuição por sexos tem-se verificado uma evolução ao longo dos tempos. Inicialmente era referida uma maior prevalência no sexo masculino, nos últimos anos passou a ser referida uma distribuição igual em ambos os sexos. 23
Um estudo realizado em Abril de 2004 volta a referir que o número de rapazes com dislexia é, pelo menos, duas vezes superior ao das raparigas. 24
Tem sido considerado que o défice cognitivo que está na origem da dislexia persiste ao longo da vida, ainda que as suas consequências e expressão variem sensivelmente.
Recentemente foram realizados estudos, com o objectivo de avaliar as modificações operadas nos sistemas neurológicos cerebrais, após a intervenção utilizando programas, multissenssoriais, estruturados e cumulativos. As imagens obtidas através da fMRI mostraram que os circuitos neurológicos automáticos do hemisfério esquerdo tinham sido activados e o funcionamento cerebral tinha “normalizado”. 25
6. Co-morbilidades
Embora a base cognitiva da dislexia seja um défice fonológico é frequente a comorbilidade com outras perturbações: perturbação da atenção com hiperactividade (ADHD), perturbação específica da linguagem (PEL), discalculia, perturbação da coordenação motora, perturbação do comportamento, perturbação do humor, perturbação de oposição e desvalorização da autoestima.
A ADHD merece referência especial, por ser a perturbação que se associa com maior frequência. 26
Os estudos de gémeos, mostram uma influência genética comum, já identificada no lócus de risco 6p, sendo maior para a dimensão de inatenção do que para a hiperactividade/impulsividade. 27
7. Mitos e Conhecimento Científico
Até muito recentemente a dislexia era uma incapacidade sem uma base orgânica identificada, sendo apenas visíveis as suas manifestações. O desconhecimento científico contribuiu para o aparecimento de diversos mitos.
7.1 Não existe Dislexia?
A dislexia existe, é uma incapacidade específica de aprendizagem, de origem neurobiológica, caracterizada por dificuldades na aprendizagem da leitura e escrita. O DSM IV inclui a dislexia nas perturbações de aprendizagem e adopta a denominação de “Perturbação da Leitura e da Escrita”.
7.2. Não existem meios de diagnóstico da Dislexia?
Actualmente existem conhecimentos que permitem avaliar e diagnosticar as crianças com dislexia. Existem provas específicas para avaliar as diferentes competências que integram o processo leitor.
7.3. A Dislexia só pode ser diagnosticada e tratada depois do insucesso na leitura?
O conhecimento do défice fonológico subjacente à aprendizagem da leitura permite a identificação dos sinais de alerta e a consequente intervenção precoce.
7.4. A Dislexia passa com o tempo?
A dislexia mantém-se ao longo da vida, não é um atraso maturativo transitório. É uma perturbação neurológica que necessita de uma intervenção precoce e especializada. 28
7.5. Repetir o ano ajuda a ultrapassar a dificuldade?
Repetir anos de escolaridade não ajuda a ultrapassar as dificuldades, pelo contrário, pode criar dificuldades acrescidas a nível afectivo emocional: sentimentos de frustração, ansiedade, desvalorização do autoconceito e da autoestima. O importante é que a criança seja avaliada e receba uma intervenção especializada.
7.6. Deve evitar-se identificar as crianças como disléxicas?
7.7. A dislexia é um problema visual?
7.8. A Dislexia é causada por problemas de orientação espacial?
7.9. A Dislexia está relacionada com a inteligência?
Dislexia é uma dificuldade específica de aprendizagem. Os critérios de diagnóstico do D.S.M-IV, referem explicitamente “O rendimento na leitura/escrita situa-se substancialmente abaixo do nível esperado para o seu quociente de inteligência...”
7.10. A Dislexia existe apenas em algumas línguas?
8. Terapias Controversas
O desconhecimento, até datas recentes, das causas e do tipo de défices subjacente à dislexia contribuiriam para o surgimento de teorias explicativas e consequentes intervenções terapêuticas sem qualquer validação científica.
8.1. Terapias Baseadas em Interpretações Psicológicas
Em 1895, Sigmund Freud afirmava: “Os mecanismos cognitivos dos fenómenos mentais, normais e anormais, podem ser explicados mediante o estudo rigoroso dos sistemas cerebrais”. 35 Apesar dos seus estudos sobre neuroanatomia não conseguiu obter respostas que lhe permitissem compreender em profundidade os fenómenos psíquicos. Perante a inexistência de meios compreende-se que tenha recorrido a explicações puramente psicológicas, desvinculadas da actividade biológica cerebral. Interrogamo-nos sobre o modo como teria evoluído o seu pensamento se tivesse tido acesso à neuroimagem, à genética molecular e aos actuais conhecimentos sobre neurotransmissores.
A última década, a denominada década do cérebro, trouxe-nos uma imensidade de conhecimentos sobre os fenómenos e transtornos psíquicos de cuja interpretação se tinha apropriado a psicanálise.
Actualmente, perante a esmagadora evidência dos aspectos biológicos da actividade cerebral e dos estudos do genoma humano é impensável dar crédito às interpretações psicodinâmicas sobre as perturbações de leitura e escrita.
8.2. Terapias Baseadas em Défices Perceptivos
8.3. Terapias Baseadas em Défices visuais, Psicomotores e Problemas Posturais.
Diversos estudos referem que as crianças com dislexia têm os mesmos problemas visuais das outras crianças. 38 39 40
As Sociedades Americanas de Pediatria e de Oftalmologia referem a independência entre a dislexia e problemas de visão e alertam para a ineficácia do uso de lentes prismáticas e do treino de visão, como tratamento para dislexia. 31 32
A dislexia não tem na sua origem um défice visual, pelo que não existe qualquer indicação para a utilização de lentes prismáticas. 41
Em complementaridade com a prescrição de lentes prismáticas, e estabelecendo uma relação de causalidade entre dislexia e problemas psicomotores e posturais, são propostos programas de treino psicomotor, prescrita a utilização de leitoris, apoios para os pés, palmilhas, sapatos e colchões ortopédicos.
Estas intervenções, proporcionam tratamentos placebos, extremamente gravosos, não só porque obrigam ao dispêndio de tempo e dinheiro, mas principalmente porque adiam a recuperação e impedem uma intervenção educativa especializada.
Não existe nenhum marcador biológico que, na prática clínica, se possa utilizar para estabelecer, ou confirmar, o diagnóstico de dislexia.
O diagnóstico da dislexia é feito com base na história familiar e clínica, em testes psicométricos, em testes de consciência fonológica, de linguagem, de leitura e da ortografia.
A realização de exames médicos, electroencefalogramas, potenciais auditivos e visuais
evocados, não tem qualquer justificação, nem utilidade, para o diagnóstico e conseqüente intervenção na dislexia. Os exames de fMRI, actualmente, ainda não são utilizados como meio de diagnóstico.
9. Linguagem e Leitura
A leitura é uma competência cultural específica que se baseia no conhecimento da linguagem oral, é contudo uma competência com um grau de dificuldade muito superior à da linguagem oral.
A linguagem existe há cerca de 100 mil anos, faz parte do nosso património genético.
Aprende-se a falar naturalmente sem necessidade de ensino explícito. Os sistemas de escrita, sendo produtos da evolução histórica e cultural, são relativamente recentes na história da humanidade, existem apenas há cerca de 5 mil anos.
A escrita utiliza um código gráfico que necessita de ser ensinado explicitamente. Para decifrar o código escrito, é necessário tornar consciente e explícito, o que na linguagem oral era um processo mental implícito.
Os processos cognitivos envolvidos na produção e compreensão da linguagem falada diferem significativamente dos processos cognitivos envolvidos na leitura e na escrita.
A procura de uma explicação neurocientífica cognitiva, para a leitura, tem sido objecto de uma imensa quantidade de estudos.
Os resultados têm sido convergentes apresentando um conjunto bastante consistente deconclusões: 42
9.1. Quais as competências necessárias à aprendizagem da leitura?
Aprender a ler não é um processo natural. Contrariamente à linguagem oral a leitura não emerge naturalmente da interacção com os pais e os outros adultos, por mais estimulante que seja o meio a nível cultural.
Para aprender a ler é necessário ter uma boa consciência fonológica, isto é, o conhecimento consciente de que a linguagem é formada por palavras, as palavras por sílabas, as sílabas por fonemas e que os caracteres do alfabeto representam esses fonemas.
A consciência fonológica é uma competência difícil de adquirir, porque na linguagem oral não é perceptível a audição separada dos diferentes fonemas. Quando ouvimos a palavra “pai” ouvimos os três sons conjuntamente e não três sons individualizados.
Para ler é necessário conhecer o princípio alfabético, saber que as letras do alfabeto têm um nome e representam um som da linguagem, saber encontrar as correspondências grafofonémicas, saber analisar e segmentar as palavras em sílabas e fonemas, saber realizar as fusões fonémicas e silábicas e encontrar a pronúncia correcta para aceder ao significado das palavras.
Para realizar uma leitura fluente e compreensiva é ainda necessário realizar automaticamente estas operações, isto é, sem atenção consciente e sem esforço.
A capacidade de compreensão leitora está fortemente relacionada com a compreensão da linguagem oral, com o possuir um vocabulário oral rico e com a fluência e correcção leitora.
Todas as competências têm que ser integradas através do ensino e da prática.
9.2. Porque é que tantas crianças têm dificuldades em aprender a ler? Quais os défices que a dificultam esta aprendizagem?
As dificuldades na aprendizagem da leitura têm origem na existência de um défice fonológico.
As crianças com dislexia embora falem utilizando palavras, sílabas e fonemas, não têm um conhecimento consciente destas unidades linguísticas, apresentam um défice a nível da consciência dos segmentos fonológicos da linguagem, um défice fonológico.
As crianças que apresentam maiores riscos de futuras dificuldades na aprendizagem da leitura são as que no jardim-de-infância, na pré-primária e no início da escolaridade apresentam dificuldades a nível da consciência silábica e fonémica, da identificação das letras e dos sons que lhes correspondem, do objectivo da leitura e que têm uma linguagem oral e um vocabulário pobres.
Os factores motivacionais são muito importantes no desenvolvimento da capacidade leitora dado que a melhoria desta competência está altamente relacionada com o querer, com a vontade de persistir, pese embora, as dificuldades sentidas e a não obtenção de resultados imediatos.
10. Sinais de Alerta
Sendo a dislexia como uma perturbação da linguagem, que tem na sua origem dificuldades a nível do processamento fonológico podem observar-se algumas manifestações antes do início da aprendizagem da leitura.
A linguagem e as competências leitoras emergentes são os sinais preditores mais relevantes de futuras dificuldades para a aprendizagem da leitura, as competências perceptivas e motoras não são preditores significativos.
Existem alguns sinais que podem indiciar dificuldades futuras. Se esses sinais forem observados e se persistirem ao longo de vários meses os pais devem procurar uma avaliação especializada.
Não se pretende ser alarmista mas sim estar consciente de que, se uma criança mais tarde tiver problemas, os anos perdidos não podem ser recuperados. A intervenção precoce é provavelmente o factor mais importante na recuperação dos leitores disléxicos.
Sally Shaywitz refere alguns sinais de alerta a que acrescentámos outros recolhidos da nossa experiência.43
1. Na Primeira Infância:
Os primeiros sinais indicadores de possíveis dificuldades na linguagem escrita surgem a nível da linguagem oral. O atraso na aquisição da linguagem pode ser um primeiro sinal de alerta para possíveis problemas de linguagem e de leitura.
2. No Jardim-de-infância e Pré-primária:
3. No Primeiro Ano de Escolaridade:
4. A partir do Segundo Ano de Escolaridade:
4.1. Problemas de Leitura:
4.2. Problemas de Linguagem:
4.3. Evidência de áreas fortes nos processos cognitivos superiores:
5. Sinais de Alerta em Jovens e Adultos:
5.1. Problemas na leitura:
5.2. Problemas de Linguagem:
5.3. Evidência de áreas fortes nos processos cognitivos superiores:
É possível identificar a dislexia em crianças antes de iniciarem a aprendizagem da leitura, se estes sinais forem observados atentamente, bem como em jovens e adultos que atingiram
um determinado nível de eficiência, mas que continuam a ler lentamente, com esforço e com persistentes dificuldades ortográficas.
Se apenas alguns destes sinais forem identificados não é motivo para alarme, todas as pessoas se enganam às vezes, há sim que estar atento à existência de um padrão persistente ao longo de um longo período.
11. Avaliação
Se existe suspeita da existência de défices fonológicos e ou de dificuldades de leitura e escrita deve ser realizada uma avaliação. É importante avaliar para diagnosticar, para delinear as dificuldades específicas, as áreas fortes e para intervir.
A avaliação pode ser feita em qualquer idade, os testes são seleccionados de acordo com a idade. Não existe um teste único que possa ser usado para avaliar a dislexia, devem ser realizados testes que avaliem as competências fonológicas, a linguagem compreensiva e expressiva (a nível oral e escrito), o funcionamento intelectual, o processamento cognitivo e as aquisições escolares.
Os modelos de avaliação que se revelam mais eficientes são os que conduzem directamente à implementação de estratégias de intervenção que tenham em conta os dados obtidos na avaliação. 44 Thomson, Watkins, 45 Malatesha, 46 Church et al, 47 Broomfield, Combley48, Snowling, Stackhouse, Kaufman 49. .
12. Intervenção
Avaliar sem intervir não faz sentido, porque não permite ultrapassar as dificuldades. Após a avaliação e com bases nos resultados obtidos são implementadas as medidas de intervenção adequadas a cada caso.
12.1. A Importância da Intervenção Precoce
A identificação e intervenção precoce são o segredo do sucesso na aprendizagem da leitura. A identificação de um problema é a chave que permite a sua resolução. Quanto mais cedo um problema for identificado mais rapidamente se pode obter ajuda. A identificação, sinalização e avaliação das crianças que evidenciam sinais de futuras dificuldades antes do início da escolaridade permite a implementação de programas de intervenção precoce que irão prevenir ou minimizar o insucesso.
Na geração passada pensava-se que o processo de aprender a ler e escrever não começava, e não devia começar, antes das crianças iniciarem a escolaridade formal.
O processo de aprendizagem da leitura começa bastante cedo, em muitos casos antes da préprimária. Estudos recentes comprovam que as crianças que apresentam dificuldades no início da aprendizagem da leitura e escrita dificilmente recuperam se não tiverem uma intervenção precoce e especializada. Os maus leitores no 1º ano continuam invariavelmente sendo maus leitores, as dificuldades acumulam-se ao longo dos anos.
Após os 9 anos de idade, o tempo e o esforço despendidos na reeducação aumentam exponencialmente. 42
Stanovich refere no seu conhecido artigo sobre o “Efeito de Mateus”, 50 os ricos ficam cada vez mais ricos e os pobres cada vez mais pobres, associando-o com as dificuldades em adquirir as competências leitoras precoces. Estas consequências são múltiplas: atitudes negativas em relação às actividades de leitura, desvalorização do autoconceito escolar e pessoal, baixo rendimento escolar, baixo nível de vocabulário, diminuição de actividades de leitura, perda de oportunidades de desenvolver estratégias de compreensão...
12.2. É possível melhorar as competências leitoras?
Sendo a dislexia uma perturbação de origem neurobiológica e genética, sendo as diferenças cerebrais e os processos cognitivos “herdados” pode inferir-se que as dificuldades das crianças com dislexia são permanentes e imutáveis? Pensamos que não, acreditamos que é possível introduzir melhorias através de uma intervenção especializada.
Como já referimos os resultados dos estudos de Sally Shaywitz provam que é possível “reorganizar” os circuitos neurológicos se for implementado um programa reeducativo concebido com base nos novos conhecimentos neurocientíficos.
Os novos conhecimentos sobre o modo como os leitores iniciantes aprendem a ler e sobre os défices que impedem o sucesso nesta aprendizagem tiveram implicações importantes nas práticas educativas.
Actualmente verifica-se um grande consenso quer em relação aos princípios orientadores, estratégias educativas, quer em relação aos conteúdos, o que ensinar.
12.3. Quais os princípios orientadores componentes dos métodos educativos que conduzem a um maior sucesso?
Estruturado e Cumulativo: A organização dos conteúdos a aprender segue a sequência do desenvolvimento linguístico e fonológico. Inicia-se com os elementos mais fáceis e básicos e progride gradualmente para os mais difíceis. Os conceitos ensinados devem ser revistos sistematicamente para manter e reforçar a sua memorização.
Ensino Directo, Explícito: Os diferentes conceitos devem ser ensinados directa, explícita e conscientemente, nunca por dedução.
Ensino Diagnóstico: Deve ser realizada uma avaliação diagnóstica das competências adquiridas e a adquirir.
Ensino Sintético e Analítico: Devem ser realizados exercícios de ensino explícito da “Fusão Fonémica”, “Fusão Silábica”, “Segmentação Silábica” e “Segmentação Fonémica”.
Automatização das Competências Aprendidas: As competências aprendidas devem ser treinadas até à sua automatização, isto é, até à sua realização, sem atenção consciente e com o mínimo de esforço e de tempo. A automatização irá disponibilizar a atenção para aceder à compreensão do texto.
12.4. O MÉTODO FONOMÍMICO Paula Teles Quais os seus pressupostos teóricos? A quem se destina?
O MÉTODO FONOMÍMICO Paula Teles, é um Método de Ensino e Reeducação da Leitura e da Escrita, Fonomímico, Multissensorial, Sistemático, Sequencial e Cumulativo. Foi elaborado com base nos resultados dos recentes estudos cognitivos e neurocientíficos sobre dislexia e a minha experiência profissional como docente e psicóloga educacional.
Tem sido apresentado em congressos, conferências, cursos de formação e pós-graduação de professores, psicólogos, médicos e terapeutas da fala, tendo merecido o reconhecimento dos diversos especialistas.
A minha intervenção tem sido aferida e aperfeiçoada mediante um trabalho diário com crianças e jovens, professores, pais, médicos, psicólogos...
Destina-se não só a crianças com perturbações fonológicas da linguagem e que apresentem indicadores de risco de dislexia, a crianças e jovens que apresentam dificuldades na aprendizagem da leitura e da escrita, bem como a todas as crianças, sem quaisquer problemas de aprendizagem, que estão a iniciar a aprendizagem da leitura e escrita.
Pretendo que os especialistas nas áreas da linguagem e leitura sintam a sua utilidade, beneficiem das suas orientações e, muito especialmente, que contribua para a obtenção de um maior sucesso na aprendizagem das crianças e jovens que acompanham.
Paula Teles - Psicóloga Educacional, Especialista em Dislexia
Fonte: http://www.psicopedagogia.com.br
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